quinta-feira, 14 de janeiro de 2016


Nosso Senhor do Bonfim


Conta a História.........
 “Até aqui, nos ajudou o Senhor”
As tradições ligadas ao Dois de Julho muitas vezes se desdobram para vários aspectos da vida dos baianos, transpassando em muito a limitação do acontecimento histórico.
Uma dessas heranças culturais diz respeito ao Senhor do Bonfim, figura central de uma das mais tradicionais festas populares da Bahia.
Muitas pessoas acreditam que o Padroeiro da Bahia apoiou os soldados brasileiros na luta contra os portugueses. Durante a Guerra pela Independência do Brasil na Bahia, os portugueses retiraram a imagem do Santo de sua basílica e por isso, na visão dos devotos, o Santo tomou o partido dos brasileiros. O Senhor do Bonfim foi devolvido à igreja após a
expulsão das tropas lusitanas. A imagem, que representa Jesus Cristo “venerado na visão de sua morte” foi trazida de Portugal pelo Capitão Theodósio Rodrigues de Faria no ano de 1745 e colocada em seu local definitivo após a construção da Igreja no alto da colina em 1772.
A tradicional lavagem da Igreja remonta ao início de 1773, sendo mais tarde reduzida apenas às escadarias. Atualmente a segunda quinta-feira de janeiro é o dia de render graças ao Santo, que na tradição das religiões afro-brasileiras é vinculado a Oxalá. As famosas fitinhas ou medidas do Bonfim vêm de uma tradição do início do século XIX, são chamadas de medidas pois possuíam o comprimento exato do braço da imagem.
A polêmica da participação do Senhor do Bonfim na Independência se estendeu ao Hino de homenagem ao Santo. Em 1923, nas comemorações do Centenário do Dois de julho foram encomendados dois hinos para homenagear o Santo, um pela Irmandade do Senhor do Bonfim ao poeta Egas Moniz Barreto de Aragão, e o outro pela prefeitura de Salvador ao poeta Arthur de Salles, que foi musicado por João Antonio Wanderley.
Durante o Centenário foram organizados dois cortejos marítimos, uma das poucas vezes em que a imagem saiu de sua Basílica, o primeiro conduziu o Senhor do Bonfim até a Igreja da Conceição da Praia no dia 3 e o segundo o trouxe de volta no dia 7 de julho. O objetivo do Cortejo era utilizar a popularidade do Santo Católico para levar as pessoas às comemorações, mas iniciou-se uma disputa entre a Irmandade do Bonfim e o então Governador José Joaquim Seabra, sobre a saída ou não da imagem e qual a versão do hino seria executada durante o ritual. A Irmandade acabou por ceder à pressão do estado, mas fez sua comemoração no dia 8 onde executou a versão sacra do hino que também faz alusão à formação da nação brasileira: “À sombra do teu madeiro, sob um céu primaveril, nasce o povo brasileiro, cresce pujante o Brasil”.
O hino cívico tornou-se a canção mais popular e conhecida, sendo inclusive cantado por Caetano Veloso no álbum “Tropicália”. Muitos autores alegam estar popularidade ao fato de que a letra faz uma alusão direta à participação do Senhor do Bonfim nas Batalhas pela Independência: “Glória a ti redentor que há cem anos, nossos pais conduziste à vitória pelos mares e campos baianos. ”.
É em casos como este que se percebe a dimensão que a Guerra de Independência do Brasil na Bahia tomou na vida e realidade da população, a ponto de resinificar, através da fé, a luta pela liberdade.

Igreja  Senhor do Bomfim

A Igreja de Nosso Senhor do Bonfim é um templo católico localizado na Sagrada Colina, na península de Itapagipe, em Salvador, Brasil. É lá que são distribuídas as famosas fitinhas do Bonfim
Para o povo baiano, a Igreja do Bonfim é o maior centro da fé católica, e ainda daquelas que, pelo sincretismo, têm no local o ponto máximo da religião.
As imagens de Nosso Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora da Guia vieram de Portugal para a Bahia, através do capitão da marinha portuguesa Theodozio Rodrigues de Faria, chegando no dia 18 de abril de 1745, num domingo de Páscoa e ficando abrigadas na Igreja da Penha, edificada na ponta da península itapagipana, até 1754.

História


A imagem do Nosso Senhor do Bonfim foi trazida em razão de uma promessa feita pelo capitão-de-mar-e-guerra da marinha portuguesa, Theodózio Rodrigues de Faria, que, durante forte tempestade prometeu que se sobrevivesse traria para o Brasil a imagem de sua devoção. Assim, em 18 de abril de 1745, réplica da representação do santo existente em Setúbal foi trazida daquela vila, terra natal do capitão, e abrigada na Igreja da Penha até o término da construção da Igreja do Senhor do Bonfim. Em 1754, a parte interna da Igreja do Senhor do Bonfim foi finalizada e as imagens transferidas para lá em procissão, onde foi celebrada missa solene.
A iluminação era feita através de lampiões até que em junho de 1862 foi implantada a iluminação pública, feita com lâmpadas de gás carbônico. As instalações elétricas realizadas em 1902 foram mantidas até 1998, quando a igreja foi restaurada.
A lavagem da igreja teve início em 1773, quando os integrantes da "irmandade dos devotos leigos" obrigaram os escravos a lavarem a igreja como parte dos preparativos para a festa do Senhor do Bonfim, no segundo domingo de janeiro, depois do Dia de Reis. Com o tempo, adeptos do candomblé passaram a identificar o Senhor do Bonfim com Oxalá. A Arquidiocese de Salvador, então, proibiu a lavagem na parte interna do templo e transferiu o ritual para as escadarias e o adro. Durante a tradicional lavagem as portas da igreja permanecem fechadas durante a lavagem — as baianas despejam água nos degraus e no adro, ao som de toques e cânticos africanos
.
É uma das mais tradicionais igrejas católicas da cidade, dedicada ao Senhor do Bonfim, padroeiro dos baianos e símbolo do sincretismo religioso da Bahia
Foi erguida a partir de 1745, ano em que chegaram as imagens do Senhor Jesus do Bonfim e de Nossa Senhora da Guia, trazidas de Portugal pelo capitão Theodózio Rodrigues de Faria, estando concluída em 1772.
Em 1923, por razão das comemorações pela Independência da Bahia, foi composto o Hino ao Senhor do Bonfim, de autoria do poeta Arthur de Salles e João Antônio Wanderley. Este hino tornou-se muito popular na Bahia até os dias atuais.

Arquitetura


Altar-mor
Construída em estilo neoclássico com fachada em rococó, essa típica igreja colonial possui duas torres sineiras laterais. A Igreja do Bonfim de Salvador chama a atenção por suas dimensões e pela posição de destaque na elevação onde foi instalada.

Festa da Lavagem


Todos os anos realiza-se a Lavagem do Bonfim, na escadaria da igreja, onde baianas lavam com água de cheiro e muita festa os seus degraus. Tudo começa com uma procissão desde a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia, até ao Bonfim. Uma grande massa humana acompanha a festa.